A cultura na moda ou a moda na cultura?

Ela revolucionou toda uma geração e depois dela as mulheres nunca mais foram as mesmas diante de uma sociedade essencialmente machista. Ela chegou a dizer: “A moda não é algo presente apenas nas roupas. A moda está no céu, nas ruas, a moda tem a ver com ideias, a forma como vivemos, o que está acontecendo.” Ela é Coco Chanel, famosa estilista francesa. Seu nome nos remete não apenas ao luxo, à alta-costura, mas nos faz lembrar fatos importantes da História, como as Guerras, sobretudo a Segunda com todo o terrorismo nazista e os costumes da época.

A moda tem o poder de, através de suas criações, contar a história de um povo, do mundo, organizar em nossa mente uma cronologia. A observar uma peça de roupa podemos identificar de que época se trata com os seus formatos e cores. Moda é comportamento, é identidade, não apenas visual: roupas e acessórios revelam traços da personalidade, estilo. E o que define cultura senão a manifestação de traços da personalidade de um povo, seus pensamentos, suas produções musicais, literárias, sua arte, seu comportamento? Moda, portanto, é cultura? Ou cultura é moda?

Coco Chanel, no início dos anos 20, apaixonou-se por um príncipe russo pobre, Dmitri
Pavlovich, que tinha fugido com a sua família da então União Soviética. A sua relação com Paulovitch a fez desenhar roupas com bordados do folclore russo. Neste período, Chanel conheceu muitos artistas importantes, tais como Pablo Picasso, Luchino Visconti e Greta Garbo. Mais que influência e inspiração, a cultura ditou as regras para Chanel! Quando observamos a forma que alguém se veste, conseguimos identificar de que tribo ela é, qual seu estilo e até supomos características de sua personalidade. Podemos identificar isso mais fortemente ao fazer uma viagem: chegando ao destino e fazendo uma leitura apenas do modo de se vestir das pessoas, percebemos diferenças entre cidades, países, regiões... É a influência cultural.

Algumas culturas já morreram ou foram sendo modificadas, mas seus traços mais marcantes permaneceram. Com a moda não é diferente, muito do que já foi idealizado por famosos estilistas e já agradou multidões, hoje é considerado démodé, mas tudo tem sua identidade marcante e essas características sempre vão e vêm, neste famoso e imprevisível “ioiô” do mundo da moda.

Em entrevista ao site Colherada Cultural, em 2010, Paulo Borges, diretor e criador da São Paulo Fashion Week comentou sobre o assunto: “Eu acho que a cultura influencia a moda... A moda não influencia a cultura, até porque a moda se inspira nas coisas todas. No cinema, na música, na fotografia, na arquitetura, na história, então a moda é influenciada pela cultura.” Por mais complexo e exigente que seja o mundo da moda, o conceito de cultura é soberanamente mais amplo. A cultura está na moda, a moda está inserida na cultura.

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